segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Resenha - Capítulo "Novo estatuto do texto nos ambientes de hipermídia"


Resenha Crítica
Autores da Resenha: 
Amanda Corrêa da Silva[1]
Gabriela Huller[2]
Sônia Regina Biscaia Veiga[3]
Referência do Texto:
SANTAELLA, L. O novo estatuto do texto nos ambientes de hipermídia. In: SIGNORINI, Inês et al (Org.). [Re]discutir texto, gênero e discurso. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. (p. 47-72)
Palavras-chaves (3):
Leitura, hipertexto, ambientes de hipermídia
Desenvolvimento do Texto:

Lucia Santaella - PUC-SP - atua como pesquisadora, com foco nas áreas de comunicação, mídias digitais, semiótica computacional e estética tecnológica. No artigo intitulado “O Novo estatuto do texto nos ambientes de hipermídia”, a autora apresenta o percurso histórico do hipertexto, suas implicações na cultura e seus reflexos no sujeito contemporâneo imerso nos ambientes de hipermídia. 
O texto divide-se em cinco tópicos: histórico dos processos de digitalização;  gênese do hipertexto; características e particularidades constitutivas do hipertexto; hipermídia e hiperespaços como hospedeiros dessa nova linguagem; perfis dos navegadores/leitores no ciberespaço.
Santaella aponta, inicialmente, que para compreender o hipertexto é preciso atentar para o processo de digitalização das informações (uma grandeza física) que consiste em:
 [...]dividir essa grandeza em pequenas frações, mediante seu valor em intervalos regulares (para a música de um compact disc, 40.000 vezes por segundo). Em seguida, é necessário quantificar esse valor, atribuindo-lhe um código informático sob forma binária, isto é, utilizando apenas dois números, 0 e 1(bits da informação). O sinal digital traduz-se assim por um fluxo de bits estocado em um disco laser e agrupado em pacotes, sendo suscetível de ser tratado por qualquer computador.  

     Tal processo dinamizou o movimento das informações e rompeu as fronteiras de acesso às mesmas. Porém, esta ruptura ocasionou também a não-linearidade do conteúdo informativo. No histórico do hipertexto organizado por Braga (2004) e apropriado pela autora, o caráter não-linear de acesso às informações – como o conhecemos hoje - está relacionado à noção de hiperespaço e ao funcionamento da memória humana. 
Neste breve histórico do hipertexto, Santaella apresenta trabalhos significativos sobre novas perspectivas tecnológicas acerca do armazenamento de dados, como os de Paul Otlet e Vannevar Bush, que auxiliaram a construção do hipertexto no formato que hoje conhecemos. Dentre as tecnologias de armazenamento, a autora destaca o Memex, projetado por Bush em 1945, que consistia na “idéia de uma rede de conhecimento global, um dispositivo chamado Memex (memoy expander), que serviria à humanidade na organização, documentação e recuperação do, cada vez maior, volume de informações.” (p. 4) O Memex nunca foi concluído, mas abriu caminhos e apontou possibilidades para o avanço do processo digital.  Com os vestígios deixados por Bush, Alan Kay, introduz em 1973 “a interface gráfica do usuário (GUI) no primeiro computador pessoal do mundo (The Xérox Alto Computer) ligado à primeira rede de área local (Ethernet).”
No terceiro tópico denominado “Traços definidores do hipertexto”, Santaella discorre sobre as principais características do hipertexto: a não-linearidade e a interatividade. A primeira trata da fragmentação das informações no ciberespaço, que ressignifica o processo de leitura através dos hiperlinks. De acordo com o texto, a não-linearidade pode ser dividida em quatro traços distintivos: a topologia (manutenção do sistema), multilinearidade (cabe ao usuário traçar seu percurso de navegação), reticularidade (diagrama do hipertexto) e manipulação (ao conectar-se o usuário pode interferir no hipertexto). A segunda característica aponta para o caráter interativo inerente ao hipertexto. Tal interatividade permite ao usuário escolher os territórios virtuais nos quais deseja navegar, por tempo indeterminado e na sequência que atenda suas necessidades de pesquisa.  Para Santaella, a interatividade está diretamente ligada ao design que possibilita inúmeros campos informacionais ao usuário. Ao fim do tópico, a autora sinaliza para a convergência de linguagens que podem constituir o hipertexto formando assim as hipermídias.
O quarto tópico intitulado “Do hipertexto à hipermídia” apresenta a hipermídia como a junção de diversas mídias no ciberespaço de modo não-linear. Tendo suas origens nos processos de digitalização, a hipermídia despontou, segundo a autora, devido à hibridização das tecnologias e à convergência das mídias. A integração de tecnologias e mídias gerou novas configurações textuais
Longe de ser apenas uma nova técnica, um novo meio para a transmissão de conteúdos preexistentes, a hipermídia é, na realidade, uma nova linguagem que nasce da criação de hipersintaxes capazes de refuncionalizar linguagens (textuais, sonoras, visuais) que antes só muito canhestramente podiam estar juntas, combinando-as e retecendo-as em uma mesma malha multidimencional. (SANTAELLA, p.15)


         Por fim, no quinto e último tópico do texto – A hipermídia e o processo de navegação nas redes – a autora discorre sobre a importância dos servidores de informação (através da tecnologia telefônica) para a disseminação da internet e dos perfis dos leitores imersos no ciberespaço. O processo interativo de navegação foi dinamizado pela junção de servidor em rede e hipertexto: é possível ir de um sítio a outro em segundos, conforme as necessidades do usuário. No ciberespaço as experiências de leitura são reconfiguradas e, segundo a autora, ganham um tom de aventura dependendo das habilidades do usuário. O texto aponta três perfis de internautas: o navegador ou internauta errante, internauta detetive e internauta previdente. Navegador errante é aquele que desconhecendo os territórios digitais se aventura pela internet através da intuição. O   segundo, o internauta detetive, avança em relação ao primeiro, pois conhece os caminhos pelos quais irá navegar, mas é previsível e evita correr riscos. O internauta previdente, tendo grande familiaridade com as hipermídias e os ciberespaços, se movimenta com tranquilidade e avança conforme “a lógica da previsibilidade.”
           A autora conclui, afirmando que as novas mídias, o ciberespaço, as hipermídias, o hipertexto interferem, como novas linguagens, no sujeito contemporâneo e na estruturação do pensamento, que vem se tornando cada vez mais heterogênea e não-linear.


[1] Graduanda em Letras na Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE. Integrante do Grupo de Estudos Imbricamentos de Linguagens - UNIVILLE. Bolsista do projeto “Autores, obras e acervos literários catarinenses em meio digital” (UFSC/UDESC/UNIVILLE/UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI).
[2] Graduanda em Design na Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE. Integrante do Grupo de Estudos Imbricamentos de Linguagens – UNIVILLE. Bolsista do art. 171.  
[3] Graduanda em Letras na Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE. Integrante do Grupo de Estudos Imbricamentos de Linguagens - UNIVILLE. Bolsista do projeto “Autores, obras e acervos literários catarinenses em meio digital” (UFSC/UDESC/UNIVILLE/UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI).


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