sexta-feira, 20 de abril de 2018

Resenha Crítica do filme "Medianeras - Buenos Aires na Era do Amor Virtual", de Gustavo Taretto, por Taiza Mara Rauen Moraes

MEDIANERAS - BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL 
Autora da Resenha:
Taiza Mara Rauen Moraes
Mestrado Patrimônio Cultural e Sociedade/ Letras/ PROLER UNIVILLE
Referência/ficha técnica do filme:
Medianeras- Buenos Aires na Era do amor virtual
Ano de Lançamento: 2011
Gênero: Romance, Comédia, Drama.
Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto
Elenco: Adrián Navarro, Carla Peterson, Inés Efron, Javier Drolas, Pilar López de Ayala, Rafael Ferro, Romina Paula
Fotografia: Leandro Martínez
Trilha Sonora: Gabriel Chwojnik
Duração: 95 min.

Palavras-chave (3):
ESPAÇO URBANO - BUENOS AIRES - AMOR NA ERA VIRTUAL
Desenvolvimento do Texto:

Medianeras - Buenos Aires na Era do amor virtual foca em sua narrativa duas vidas solitárias: Martin (Javier Drolas), um escritor solitário que detesta sair de seu pequeno apartamento e Mariana - arquiteta (Pilar López de Ayala), recém-traumatizada pelo término de um relacionamento de quatro anos, que vive num apartamento próximo de Martim, porém separados por medianeiras, paredes muros, que separam espaços e vidas. Ambos moram na metropolitana Buenos Aires, cidade desvelada em cenas panorâmicas que explicitam sua beleza e suas contradições. Martin, verbaliza a solidão num mundo tecnológico-“Há algo mais desolador no século 21 que não ter nenhum e-mail na caixa de entrada?” e Mariana  num convívio silencioso com livros e com manequins de vitrines dialogando consigo mesma. O isolamento dos protagonistas é mostrado como decorrente da degeneração das relações sociais advindas do excesso de urbanização e do isolamento físico do mundo tecnológico. A trama é tecida pela exposição das vidas solitárias dos protagonistas, seus problemas, suas neuroses. As sequências narrativas apresentam como os personagens lidam com a solidão: Martin sai com Ana, passeadora de cachorros, ou com Marcela, que conhece pela internet, e Mariana com um amigo do trabalho e um homem que conhece na natação. Apesar de serem vizinhos e de passarem pelas mesmas ruas e frequentarem a mesma academia de natação, não se conhecem.  O filme se fragmenta em três tempos: outono, inverno e primavera, incorporando o pensamento filosófico proposto por Bauman em “Amor Líquido”, recortado na relação “Afinidade e Parentesco”. Segundo, Bauman, o parentesco é um laço irredutível e inquebrável, é aquilo que não propicia escolhas, enquanto que a afinidade ao contrário é voluntária, é uma escolha. Porém, numa sociedade que impera o descarte, até as afinidades se tornam raras e as pessoas clamam por amor e amparo, pois ser digno de amor é algo que só o outro pode demarcar. Daí a angústia do enfrentamento ante essa condição incerta e líquida - nas quais o amor nos é negado? Os amores e as relações humanas marcadas pela instabilidade metaforicamente indiciam que caminhamos sob neblina numa atmosfera sem nitidez. O mundo virtual introduz a facilidade de “desconectar-se” e assim as pessoas passam a ter dificuldades de manter um relacionamento de longo prazo, pois estão consumindo e se consumindo nas relações, ou seja, caso haja defeito descarta-se impedindo espaços de abertura para os sonhos e para as experiências que propiciam viver as contradições. Na cena final, Mariana e Martín se permitem viver seus sonhos... Martim se veste como o personagem Wally, do livro de cabeceira de Mariana, cujo foco narrativo é proporcionar ao leitor o encontro com o personagem no meio da multidão urbana e pela minúscula janela aberta clandestinamente na medianeira de seu apartamento o identifica na multidão urbana e corre ao seu encontro...

SÍNTESE DO FILME: FALA DE MARTIN
- Há algo mais desolador no século 21 que não ter nenhum e-mail na caixa de entrada?


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