Resenha
Crítica
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MORAES
RAUEN, Taiza Mara
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Referência do Texto:
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BARTHES,
Roland.O mito, hoje. In: Mitologias . Tradução Rita Buongermino e Pedro de Souza.
8 ed. Rio de Janeiro,Bertrand Brasil S. A., 1989.p.131-178.
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Palavras-chaves (3):
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Mito;
Literatura; Semiologia
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Desenvolvimento
do Texto:
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1-Introdução:
Roland Barthes (França, 1915 - 1980) semiólogo e
teórico da literatura, desenvolveu em Mitologias uma crítica ideológica e semiológica da
linguagem da cultura de massa, operando reflexivamente sobre a naturalidade com
que a imprensa, o senso comum e arte tratam a realidade mascarando-a
ideologicamente. O mito é abordado como linguagem, pois ao enfocar o mito
hoje, procura abordá-lo numa relação triádica entre a natureza , a objetividade
do cientista e a subjetividade do escritor
2 - Resumo:
O
livro Mitologias dividido em duas partes, a primeira
“Mitologias” é constituída por
pequenos ensaios em que
Barthes , se posiciona com mitólogo buscando tratar da significação de mitos
contemporâneos ao explorar cenas da vida cotidiana francesa entre os anos de 1954 a 1956. Já, a segunda
parte “O mito , hoje” é subdividido
em: O mito é uma fala; O mito como
sistema semiológico; A forma e o conceito; A significação; Leitura e
decifração do mito; A burguesia como sociedade anônima; O mito é uma fala
despolitizada; O mito na esquerda; O mito na direita; Necessidade e limites
da mitologia – ensaios teóricos/reflexivos, nos quais são questionadas as
relações entre natureza/história.
Aspectos
abordados sobre o mito:
·
Conceituação de mito;
·
Relação mito/semiologia;
·
Mito no sistema semiológico;
·
Significação;
·
Relação mito/literatura.
O mito é uma fala –
p131- 133
MITO
= Sistema de comunicação historicamente determinado;
= Uma fala que não se define pelo
objeto de sua mensagem, mas pela maneira
como é
proferido;
=
Tem limites formais, mas não
substanciais, portanto tudo pode mito porque
o universo é infinitamente
sugestivo.
O mito como sistema
semiológico p. 133-139
p.133
“A semiologia é uma ciências das formas, visto que estuda as significações
independentemente de seu conteúdo.”
p.
134-135 -Barthes, enfatiza que a fala mítica é formada por uma matéria já
trabalhada, pois visa uma comunicação apropriada e situa o mito numa relação de dependência a
uma ciência geral extensiva à Linguística – SEMIOLOGIA = ciência das formas,
estuda as significações independente de seu conteúdo.
A
semiólogo explora o fato e defini-o como
um valor de equivalência, portanto a semiologia propõe uma
relação entre dois termos ,
significante e significado, objetos de ordem diferente e constitui uma
equivalência. Na linguagem comum, o significante exprime o significado, já no
sistema semiológico há três termos
diferentes, o que se apreende não é um termo após o outro, mas a correlação
os une: o significado, o significante
e o signo, total associativo dos dois primeiros termos. O exemplo tomado é um
ramo de rosas que é (re)significado em paixão, assim, nessa relação existe um
significante, um significado, as rosas e a paixão, rosas “passionalizadas”,
ou seja, analiticamente as rosas
carregadas de paixão podem ser decompostas em rosas e em paixão e tinham uma existência
independente antes de se transformarem em um signo da paixão. Assim, o
significante é vazio e o signo é pleno, é um sentido.
p.
135-136 - Diálogo –
Barthes/Saussure/Freud/ Sartre:
Saussure
– estudou um sistema semiológico específico, a língua, e nesse sistema, significado = conceito;
significante = imagem acústica e o signo= relação entre o conceito e a
imagem.
Freud- estudou
o psiquismo= espessura de equivalências, ou seja, um termo é
constituído pelo sentido manifesto do comportamento, um outro pelo sentido
latente ou próprio ( substrato de um sonho), terceiro termo é a correlação
dos dois primeiros: “é o próprio sonho, na sua totalidade, o ato falho ou a
neurose, concebidos como compromissos, economias realizadas graças à junção
de uma forma ( primeiro termo) e de uma função intencional (segundo termo).”
Sonho
,não é o conteúdo manifesto nem o conteúdo latente, mas a ligação dos dois
termos.
Sartre
– propôs uma crítica, na qual, o
significado= crise original do sujeito ( separação da mãe para Baudelaire );
Literatura como discurso, forma o significante; e a crise com o discurso
define a obra, gerando uma significação.
Daí:
na semiologia o esquema tridimensional da forma é constante, mas não funciona
sempre do mesmo modo; seu campo é a linguagem
, portanto, sujeita a operação da leitura ou do deciframento.
p.
136-137 - MITO – esquema
tridimensional – significante/significado e signo – sistema semiológico
segundo
signo=
totalidade associativa de um conceito e de uma imagem num primeiro sistema
(língua), transforma-se em significante no segundo sistema.
p.136
“[...] as matérias primas da fala mítica (língua propriamente dita,
fotografia, pintura, cartaz, rito, objeto, etc), por mais diferentes que
sejam inicialmente, desde o momento em que são captadas pelo mito, reduzem-se
a uma pura função significante: o mito vê nelas apenas uma mesma matéria-
prima; a sua unidade provém do fato de serem todas reduzidas ao simples
estatuto da linguagem. O termo final (totalidade dos signos) transforma-se em
1º termo ou termo parcial do sistema aumentado que ele constrói.” O mito
incorpora dois sistemas semiológicos, um deslocado em relação ao outro. No
sistema linguístico, a língua, linguagem-objeto,
para Barthes, é a linguagem que o mito utiliza para construir seu sistema; o
mito, meta-linguagem, porque é uma
segunda língua que fala da primeira. Em decorrência, Barthes sinaliza que o
semiólogo deve tratar da mesma maneira a escrita
e a imagem: deve considerar que
ambas são signos e chegam no limiar do mito por possuírem a mesma função
significante = linguagem objeto.
EXEMPLO
– p.138 - capa de um número da revista Paris
– Match : um negro vestindo um
uniforme do exército francês faz uma saudação militar, com olhos erguidos e fixos na bandeira tricolor –
sentido da imagem. A imagem significa que a França é um forte Império e que
seus filhos, sem distinção de cor, a respeitam e adotam sua bandeira. A imagem é uma
resposta aos críticos ao colonialismo. Exemplo de um sistema semiológico
ampliado: há um significante formado por um sistema prévio = um soldado negro
saúda a bandeira francesa; há um significado = misto de “francidade”/
“militaridade” ; há uma presença do significado através do
significante.
TERMINOLOGIA
- significante no mito= termo final do
sistema linguístico ou como termo final do sistema mítico.
No
plano da língua – como termo final do 1º sistema – significante = sentido –
um negro faz a saudação militar à bandeira tricolor francesa; no plano do
mito= forma.
O
significado é chamado – conceito – nos dois sistemas. O 3º termo = correlação
dos dois primeiros: no sistema da língua= signo e no mito=significação,
porque “o mito tem efetivamente uma dupla função: designa e notifica, faz
compreender e impõe.”
A forma e o conceito p.139 -142
p.
139-140 - Significante no mito= apresenta simultaneamente sentido e forma, pleno de um lado e vazio de outro. A forma não suprime o
sentido, empobrece-o, afasta-o, conservando à sua disposição. O sentido tem
sua morte suspensa, conserva-se vivo no mito. A forma do mito não é símbolo (
retomando o exemplo – o negro da capa da Paris
Match, não é cúmplice do conceito de imperialidade francesa e se
constitui como uma presença emprestada,
através do conceito, uma história nova é implantada no mito. Daí a
característica fundamental do conceito mítico, que é o do ser apropriado. O
conceito propicia que uma história nova seja incorporada no mito.
p.141
– O conceito corresponde a uma função
precisa e define-se como uma tendência, pois, um significado pode ter
vários significantes, como exemplo, é
possível encontrar muitas imagens que signifiquem a imperialidade francesa. O
conceito assim, é quantitativamente mais pobre do que o significante, se
limita com frequência a re-apresentar-se.
p.142
– “O conceito é um elemento constituinte do mito: se pretendo decifrar mitos,
e
necessário que possa nomear conceitos.”
A significação
p.142-148
p.143
A significação é própria do mito, pois o “mito não esconde nada” e tem a
função de deformar. A deformação é possível porque a forma do mito já é
constituída por um sentido linguístico. Num sistema simples como a língua, o
significado não pode deformar nada, porque o significante é vazio,
arbitrário, não lhe oferece nenhuma resistência.
p.144
No mito o significante apresenta duas faces: uma plena, que é o sentido e uma
vazia, que é a forma. Exemplo – (negro- soldado
francês-saudando-a-bandeira-tricolor) – o conceito deforma a face plena, o sentido – o negro é
privado de sua história e transformado em gesto, ocorre uma deformação, o
negro permanece, o conceito retira-lhe a memória, mas necessita dele.
p.144-145
O mito é um valor, não tem verdade com sanção: nada o impede de ser um perpétuo álibi (termo espacial –
há um lugar pleno e um lugar vazio, ligados por uma relação de identidade
negativa: basta que o seu significante tenha duas faces para dispor sempre de
um “outro lado”: o sentido existe sempre que apresentar a forma; a forma
existe sempre para distanciar o sentido.
O
caráter do mito é imperativo e
interpelatório, pois surge de um conceito histórico, vem diretamente da
contingência, obriga o acolhimento de sua ambiguidade expansiva, motivação (elemento da
significação).
p.147 A significação mítica não é completamente
arbitrária, é sempre em parte motivada, contém fatalmente uma analogia : para que a imperialidade
francesa se apodere do negro que faz a saudação militar do negro e a saudação
militar do soldado francês. A motivação é necessária à própria duplicidade do
mito; o mito joga com a analogia do sentido e da forma: não existe mito sem
forma motivada.
p.148
O mito é um sistema ideográfico puro onde as formas são ainda motivadas pelos conceitos que
representam, sem no entanto cobrirem a totalidade representativa desse
conceito.
Leitura e
decifração do mito p.149-152
p.149
Barthes propõe três tipos diferentes de leitura semiológica do mito:
1-
se focalizar o significante vazio – o conceito preenche a forma do mito sem
ambiguidade, a significação volta a ser literal – o negro que faz a saudação militar é um
exemplo da imperialidade francesa, é o seu símbolo- leitura cínica
que destrói o mito .
2-
se focalizar o significante pleno, distinguindo plenamente o sentido da forma
e, portanto, a deformação que um provoca no outro, é destruída a significação
do mito – o negro que faz a saudação militar
transforma-se no álibi da
imperialidade francesa – focalização
do mitólogo que decifra o mito e compreende uma deformação- leitura
desistificadora.
3-se
focalizar o significante do mito, enquanto totalidade inextrincável de
sentido e forma, a significação é ambígua
e ocorre uma leitura segundo a dinâmica própria do mito. O negro que
faz a saudação militar passa a ser a própria presença da imperialidade
francesa. A focalização é dinâmica e o
leitor vive o mito como uma história verdadeira e irreal.
p.151
O mito- não é uma mentira nem uma
confissão. É uma inflexão. É simultaneamente imperfectível e indiscutível: o
tempo e o saber nada lhe podem acrescentar e subtrair.
p.152
O mito é lido inocentemente quando não é lido como um sistema semiológico,
mas como um sistema indutivo, ou seja, quando há uma equivalência lê- se uma
processo causal, no qual o significante e o significado mantêm relações
naturais. Todo sistema semiológico é um sistema de valores.
Mito como linguagem
roubada p. 152-158
p.152 A função específica do mito é a de
transformar um sentido em forma.
A
língua oferece fraca resistência ao mito, pois ele pode desenvolver o seu
esquema segundo, a partir de qualquer sentido, não importa qual, ou ainda a
partir da própria privação de sentido.
p.153
– O mito nunca está no grau zero da língua.
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Resenha do Capítulo: O Mito In: Mitologias - Roland Barthes
Síntese crítica - Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro
GARPAR, Madu. Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
Mestranda Karla Adriana Nascimento Cunico[1]
Em linhas gerais, Gaspar (p. 08) as possibilidades do campo de estudo da arqueologia diz que “o investimento maior dos pesquisadores brasileiros tem sido no estudo de culturas pré-históricas”. E quando se refere à ocupação do território brasileiro situa “a referência cronológica para o início da ocupação do território brasileiro seja de 12 mil anos”.
A pesquisadora também afirma que os estudos da arqueologia nacional “tem se dedicado também ao estudo sistemático da ocupação da costa por pescadores e coletores que se instalaram na faixa litorânea por volta de 6.500 anos AP[2]” (p. 08).
O principal objeto do livro são os Sambaquis. Quanto ao nome dado a este tipo de sítio, a autora diz que “Sambaqui é uma palavra de etimologia Tupi, língua falada pelos horticultores e ceramistas que ocupavam parte significativa da costa brasileira quando os europeus iniciaram a colonização. Tamba significa conchas e kiamontoado, que são as características mais marcantes desse tipo de sítio” (p. 09) e ao explicar as características físicas dos Sambaquis afirma que
são caracterizados basicamente por serem uma elevação de forma arredondada que, em algumas regiões do Brasil, chega a ter mais de 30m de altura. São construídos basicamente com restos faunísticos como conchas, ossos de peixe e mamíferos. Ocorrem também frutos e sementes, sendo que determinadas áreas dos sítios foram espaços dedicados ao ritual funerário e lá forma sepultados homens, mulheres e crianças de diferentes idades. Contam igualmente com inúmeros artefatos de pedra e osso, marcas de estacas e manchas de fogueiras, que compõem uma intricada estratigrafia. (p. 09)
O Sambaqui ainda “é considerado o resultado de ordenado trabalho social que tinha por objetivo, entre outras coisas, construir um imponente marco paisagístico” (p. 10).
Breve história das pesquisas em Sambaqui
As pesquisas arqueológicas sobre os Sambaquis pautaram-se segundo Gaspar em três vertentes conhecidas como “naturalista”, “artificialista” e “mista”. Para a autora a vertente “naturalista”, “considerava que os sambaquis eram resultados do recuo do mar e da ação do vento exercida sobre as conchas lançadas à praia” (p. 12). A vertente dos “artificialistas” “sustentavam que eram resultado da ação humana e propunham diversas explicações sobre o acúmulo de restos faunísticos” (p. 12). Com o avançar das pesquisas, os indícios de ação humana nos sambaquis se tornaram cada vez mais evidentes, nisso surgir a corrente “mista”, onde “percebe os sambaquis como uma combinação de elementos naturais e humanos” (p. 13).
A autora sinaliza que a evolução das pesquisas arqueológicas sobre Sambaquis iniciaram na década de 1950
as pesquisas de arqueologia consideradas modernas [...] a intelectualidade brasileira dá início a um intenso movimento visando proteger os sambaquis, que desde o século XVI vinham sendo destruídos sistematicamente, já que as conchas eram utilizadas para a fabricação de cal. (p. 17/18)
Dando prosseguimento nos aspectos históricos das pesquisas arqueológicas sobre esse tipo de sítio, afirma que na metade da década de 90 enfim
a arqueologia brasileira começou a abandonar o excessivo empirismo que sempre a caracterizou, voltando-se para a resolução de determinadas questões. Temas como domesticação de vegetais, sedentarismo, identidade social, territorialidade e organização social passaram a compor o cenário científico. (p. 26)
Os estudos demarcam que a vertente “mista”, é bem aceita no campo científico, compreende que “após o abandono do sítio pelo grupo que o construiu, o local tenha passado por inúmeros processos naturais e culturais que determinaram sua feição atual” (p. 28).
Com o passar do tempo esses sítios, já sem seus construtores, foram reutilizados para os mais variados fins
horticultores faziam ali suas roças, aproveitando a concentração de matéria orgânica; os colonizadores portugueses erigiam algumas de suas igrejas e de seus faróis sobre tais locais, pontos estratégicos para o domínio da paisagem natural e social. Com o desenvolvimento econômico do país, os sambaquis foram intensamente minerados para o fabrico de cal e pavimentação de estradas, dando lugar às cidades litorâneas (p. 28/29).
A ocupação do litoral brasileiro
Gaspar afirma sua posição em consonância aos “pesquisadores que estudam a evolução do litoral brasileiro informam que por volta de 7 mil anos AP o mar estava recuado e que esse ambiente, hoje coberto pelas águas, pode ter sido o local de moradia dos primeiros sambaquieiros” (p. 32). Existem três hipóteses sobre o processo de colonização do nosso litoral:
ü Os mais antigos sítios conhecidos foram construídos por uma população que já tinha o hábito de explorar ambientes costeiros
ü Essa população veio de um ambiente semelhante ao encontrado na costa do Brasil
ü Desenvolveu o seu modo de vida no litoral há muito tempo
O Sambaqui é um espaço peculiar onde encontra-se vestígios de três importantes aspectos da vida em uma sociedade: local de habitação; sepultamento dos mortos e restos alimentares. Gaspar (p. 34) salienta que
muita coisa já foi dita sobre esse espaço construído: que o cheiro de ostra e de marisco em decomposição era insuportável; que os mosquitos infernizavam a vida das pessoas; e que o acúmulo de matéria orgânica criaria condições favoráveis para a proliferação de doenças. Segundo essa ótica, os sambaquieiros teriam criado um lugar desagradável.
Este é um ponto crucial na discussão que envolve o uso efetivo do sambaqui por parte da sociedade que o criou, como os habitantes conseguiam viver em um espaço que continha restos de alimentos e vestígios funerários? Gaspar nos alerta que a “percepção é formada culturalmente e, portanto, é relativa; o cheiro de frutos do mar poderia não ser desagradável para quem vivia da pesca” (p. 34).
A autora afirma que como não existem herdeiros culturais dos sambaquieiros, esse grupo “só ganha consistência a partir do contraste com outros conjuntos de vestígios que lhe são contemporâneos” (p. 35).
Essa reflexão parte do princípio de que o espaço é um aspecto estruturador da vida em sociedade, de que existe uma estreita relação entre o que uma coisa é e o lugar no qual está situada. O lugar é, em si mesmo, parte do ser do objeto. Essa premissa é particularmente reveladora no caso do sambaqui, locus de ritual funerário, o que fornece a este mesmo espaço uma dimensão sagrada (p. 36).
Quanto aos estudos dedicados a relação espaço-temporal dos sambaquis, Gaspar afirma que “é certo que por volta de 6.500 anos AP os sambaquieiros já estavam ocupando o litoral do Paraná e dali teriam partido seguindo dois eixos: um em direção ao norte e outro, ao sul do país” (p. 39).
Gaspar enfatiza que os sambaquieiros não viveram em completo isolamento de outros grupos pré-coloniais, para ela, “população, língua e cultura não se sobrepõem exatamente como gostariam os pesquisadores. A cultura deve ser pensada como entidade dinâmica e sempre em mudança” (p 41).
Tipo de ocupação: nômades ou sedentários?
Neste tópico, Gaspar alerta aos leitores sobre as condições ambientais dos espaços que abrigavam os sambaquis, tais condições foram interpretadas por análise in loco, visto que nos sambaquis não são encontrados vestígios que remetam ao ambiente encontrado pelos construtores dos mesmos. A autora afirma que eles “estabeleciam seus assentamentos em locais estratégicos onde pudessem obter alimentos todos os dias e durante o ano inteiro” (p. 42). Os sítios eram construídos em locais estratégicos, sendo “áreas de interseção ambiental. Próximos de enseada, canal, rio, laguna, manguezal e floresta, dos sambaquis era possível alcançar rapidamente os diferentes ambientes” (p. 42). Neste sentido afirma-se que os sambaquieiros eram uma população sedentária e permaneciam por um longo tempo naquelas construções.
Tempo de ocupação dos sambaquis
Durante os anos de 1994-95, Gaspar analisou a datação de 147 sítios, com esse trabalho concluiu que os sítios foram ocupados por um longo período, sendo que “a grande maioria funcionou por mais de cem anos, ininterruptamente. Alguns estiveram ativos durante mais de mil anos, período surpreendente e inesperado para o que se considerava um bando de coletores nômades” (p. 45).
Tecnologia, arte e domínio do mar
Com os indícios de ocupação de ilhas e restos faunísticos de alto mar, entende-se que “os sambaquieiros certamente dispunham de algum tipo de embarcação para garantir as rotineiras idas e vindas entre os diferentes pontos do continente e ilhas” (p. 48).
A análise dos artefatos encontrados nos sambaquis, evidencia que aquele povo tinha uma tecnologia avançada para caça, pesca, fabricação de adornos, utensílios de cozinha, trabalho com madeira, além de que “a destreza em lidar com as pedras está manifesta tanto nos pingentes como nas esculturas” (p. 51). Tais pedras eram lascadas e polidas, em locais conhecidos como oficinas de polimento, que
são diques de diabásio ou basalto que apresentam conjuntos de marcas correspondentes à preparação do lado, da face e do gume da lâmina. Geralmente estão próximos da água, elemento que, junto com a areia, agilizava a obtenção do polimento desejado. (p. 52)
Nos sambaquis além de ainda são encontradas esculturas de pedra e também de osso “conhecidas como zoólitos (zoo=animal, lito=pedra); são objetos que impressionam pela beleza e pelo equilíbrio de formas” (p. 52).
Sambaquis próximos, moradores vizinhos
Ao analisar artefatos de vários sítios, a autora percebeu certa familiaridade no modo de produção e no formato final de tais artefatos, com isso “evidenciou uma cultua material produzida por pessoas que circulavam entre os sítios e que viajavam pelo litoral de uma maneira capaz de disseminar e manter o modo de resolver os seus problemas e fazer suas coisas” (p. 56). Entende-se que a ocupação simultânea de sítios próximos possibilitou a convivência entre seus habitantes, ressalta-se que a mesma foi pacífica, visto que “não há nos ossos humanos indícios de disputas sistemáticas nem arsenal tecnológico voltado para a guerra” (p. 57).
Atividades nos sambaquis e indícios de mudança social
Os sambaquis, independentemente de suas dimensões, tinham a mesma função de servir seus ocupantes, eram
o espaço das atividades rotineiras de um grupo pescador e o local de sepultamento dos membros da população [...] sua dimensão relacionava-se com a maior intensidade de atividades rotineiras decorrente do maior número de pessoas envolvidas ou maior tempo de duração (p. 61)
Quanto a densidade demográfica, estima-se que cada “comunidade sambaquieira contaria com pelo menos três sítios ativos, além de reunir um número maior de sítios de pequeno porte [...] é possível ter como parâmetro 180 pessoas para os grupamentos menos densos” (p. 62).
A autora observou que os sambaquis da região de Laguna/SC apresentavam uma característica singular quanto ao uso de seus espaços, naquela região “os grandes sítios, a produção de esculturas e a criação de locais específicos para os mortos delineiam o desenvolvimento de características regionais” (p. 65).
Com o desenrolar do tempo, os sambaquieiros começaram a participar de interações culturais cada vez mais intensas, Gaspar afirma que “é o contato com outras culturas que explica também a desestruturação da sociedade sambaquieira” (p. 67). Em um primeiro momento esse contato foi com os ceramistas do interior e é esse fato
que explica a presença de cacos de cerâmica nos últimos níveis de ocupação de muitos sítios sem que tenha havido mudanças significativas em outros aspectos da vida social [...] considerando as características dos grupos que estavam na costa brasileira quando os europeus chegaram, os sambaquieiros devem ter sido incorporados ou eliminados (p. 67/68).
A autora lembra que os assuntos relacionados ao desaparecimento da sociedade que construiu os sambaquis não foram devidamente aprofundados por pesquisas científicas, logo, só podem ser tratados de maneira superficial.
Ritual funerário
O tratamento dado aos mortos pelos sambaquieiros é um capítulo repleto de detalhes, que permite aos arqueólogos a dedução de vários aspectos daquela sociedade, nos sambaquis é possível encontrar resquícios de ossadas humanas, mas
os sepultamentos, embora sigam um determinado padrão, não são idênticos nem mesmo em único sítio. É difícil estabelecer se o programa mortuário sofreu mudanças através do tempo, mas é certo que houve tratamento especial para certos indivíduos e que estas especificidades não se restringiam às diferenças de idade e de sexo (p. 70).
Durante as pesquisas arqueológicas, foram encontrados rituais funerários diversos, eles incluíam adornos, enfeites, ferramentas e equipamento de pesca e caça – que os pesquisadores indicam ser do falecido. Gaspar diz que “é possível considerar que o programa mortuário remete à organização social dos sambaquieiros e que a presença de sepultamentos elaborados se refere à existência de desigualdade social” (p. 70). Os artefatos encontrados junto aos sepultamentos, indicam o grupo a que pertencia a pessoa que foi enterrada ali, provavelmente um bom caçador era enterrado com seus materiais de caça, por exemplo.
Organização social: bando, tribo ou chefia?
Neste tópico Gaspar busca tratar das diferenças entre “bando”, “tribo” e “chefia”, traz a luz a cada conceito para explicar como ela enquadrou os sambaquieiros, para ela as evidencias tratadas no livro - localização dos sítios, rituais funerários diferenciados – indicam que eles tinham “uma sociedade com incipiente hierarquia social” (p. 76).
Para os pesquisadores os povos dos sambaquis não se enquadram nos conceitos “bando”, “tribo” ou “chefia”, provavelmente havia alguém que ocupasse a posição central da sociedade em questão, mas dificilmente institucionalizado, inclusive na questão da organização do trabalho, não foram encontrados indícios de que houvesse um controle por parte de um grupo dominante.
SÍNTESE CRÍTICA
O tema está longe de ser concluído, mas Gaspar deixa claro sua posição no que se refere ao conceito recorrente da comunidade acadêmica que tem “a imagem dos sambaquieiros como um pequeno bando de coletores de moluscos”, para a autora essa categorização simplista não condiz com a verdade, a sociedade sambaquieira representa “uma realidade muito mais complexa, capaz de executar grandes obras – como a construção dos próprios sítios –, que contava com artesãos que se aprimoraram na arte lítica e cuja trama social incluía número significativo de pessoas (p. 78).
[1] Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade - Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE
[2] Para Gaspar, “AP significa ‘antes do presente’, que, por convenção, é 1950. Trata-se de uma menção à descoberta da técnica de datação através do Carbono 14, que se deu em 1952. Assim, o evento mencionado ocorreu 6.500 anos antes de 1950” (p. 08).
Resenha - Capítulo "Novo estatuto do texto nos ambientes de hipermídia"
Resenha Crítica
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Amanda Corrêa da Silva[1]
Gabriela Huller[2]
Sônia Regina Biscaia Veiga[3]
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Referência do Texto:
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SANTAELLA, L. O novo estatuto do texto nos ambientes de hipermídia. In: SIGNORINI, Inês et al (Org.). [Re]discutir texto, gênero e discurso. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. (p. 47-72)
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Palavras-chaves (3):
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Leitura, hipertexto, ambientes de hipermídia
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Desenvolvimento do Texto:
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Lucia Santaella - PUC-SP - atua como pesquisadora, com foco nas áreas de comunicação, mídias digitais, semiótica computacional e estética tecnológica. No artigo intitulado “O Novo estatuto do texto nos ambientes de hipermídia”, a autora apresenta o percurso histórico do hipertexto, suas implicações na cultura e seus reflexos no sujeito contemporâneo imerso nos ambientes de hipermídia.
O texto divide-se em cinco tópicos: histórico dos processos de digitalização; gênese do hipertexto; características e particularidades constitutivas do hipertexto; hipermídia e hiperespaços como hospedeiros dessa nova linguagem; perfis dos navegadores/leitores no ciberespaço.
Santaella aponta, inicialmente, que para compreender o hipertexto é preciso atentar para o processo de digitalização das informações (uma grandeza física) que consiste em:
[...]dividir essa grandeza em pequenas frações, mediante seu valor em intervalos regulares (para a música de um compact disc, 40.000 vezes por segundo). Em seguida, é necessário quantificar esse valor, atribuindo-lhe um código informático sob forma binária, isto é, utilizando apenas dois números, 0 e 1(bits da informação). O sinal digital traduz-se assim por um fluxo de bits estocado em um disco laser e agrupado em pacotes, sendo suscetível de ser tratado por qualquer computador.
Tal processo dinamizou o movimento das informações e rompeu as fronteiras de acesso às mesmas. Porém, esta ruptura ocasionou também a não-linearidade do conteúdo informativo. No histórico do hipertexto organizado por Braga (2004) e apropriado pela autora, o caráter não-linear de acesso às informações – como o conhecemos hoje - está relacionado à noção de hiperespaço e ao funcionamento da memória humana.
Neste breve histórico do hipertexto, Santaella apresenta trabalhos significativos sobre novas perspectivas tecnológicas acerca do armazenamento de dados, como os de Paul Otlet e Vannevar Bush, que auxiliaram a construção do hipertexto no formato que hoje conhecemos. Dentre as tecnologias de armazenamento, a autora destaca o Memex, projetado por Bush em 1945, que consistia na “idéia de uma rede de conhecimento global, um dispositivo chamado Memex (memoy expander), que serviria à humanidade na organização, documentação e recuperação do, cada vez maior, volume de informações.” (p. 4) O Memex nunca foi concluído, mas abriu caminhos e apontou possibilidades para o avanço do processo digital. Com os vestígios deixados por Bush, Alan Kay, introduz em 1973 “a interface gráfica do usuário (GUI) no primeiro computador pessoal do mundo (The Xérox Alto Computer) ligado à primeira rede de área local (Ethernet).”
No terceiro tópico denominado “Traços definidores do hipertexto”, Santaella discorre sobre as principais características do hipertexto: a não-linearidade e a interatividade. A primeira trata da fragmentação das informações no ciberespaço, que ressignifica o processo de leitura através dos hiperlinks. De acordo com o texto, a não-linearidade pode ser dividida em quatro traços distintivos: a topologia (manutenção do sistema), multilinearidade (cabe ao usuário traçar seu percurso de navegação), reticularidade (diagrama do hipertexto) e manipulação (ao conectar-se o usuário pode interferir no hipertexto). A segunda característica aponta para o caráter interativo inerente ao hipertexto. Tal interatividade permite ao usuário escolher os territórios virtuais nos quais deseja navegar, por tempo indeterminado e na sequência que atenda suas necessidades de pesquisa. Para Santaella, a interatividade está diretamente ligada ao design que possibilita inúmeros campos informacionais ao usuário. Ao fim do tópico, a autora sinaliza para a convergência de linguagens que podem constituir o hipertexto formando assim as hipermídias.
O quarto tópico intitulado “Do hipertexto à hipermídia” apresenta a hipermídia como a junção de diversas mídias no ciberespaço de modo não-linear. Tendo suas origens nos processos de digitalização, a hipermídia despontou, segundo a autora, devido à hibridização das tecnologias e à convergência das mídias. A integração de tecnologias e mídias gerou novas configurações textuais
Longe de ser apenas uma nova técnica, um novo meio para a transmissão de conteúdos preexistentes, a hipermídia é, na realidade, uma nova linguagem que nasce da criação de hipersintaxes capazes de refuncionalizar linguagens (textuais, sonoras, visuais) que antes só muito canhestramente podiam estar juntas, combinando-as e retecendo-as em uma mesma malha multidimencional. (SANTAELLA, p.15)
Por fim, no quinto e último tópico do texto – A hipermídia e o processo de navegação nas redes – a autora discorre sobre a importância dos servidores de informação (através da tecnologia telefônica) para a disseminação da internet e dos perfis dos leitores imersos no ciberespaço. O processo interativo de navegação foi dinamizado pela junção de servidor em rede e hipertexto: é possível ir de um sítio a outro em segundos, conforme as necessidades do usuário. No ciberespaço as experiências de leitura são reconfiguradas e, segundo a autora, ganham um tom de aventura dependendo das habilidades do usuário. O texto aponta três perfis de internautas: o navegador ou internauta errante, internauta detetive e internauta previdente. Navegador errante é aquele que desconhecendo os territórios digitais se aventura pela internet através da intuição. O segundo, o internauta detetive, avança em relação ao primeiro, pois conhece os caminhos pelos quais irá navegar, mas é previsível e evita correr riscos. O internauta previdente, tendo grande familiaridade com as hipermídias e os ciberespaços, se movimenta com tranquilidade e avança conforme “a lógica da previsibilidade.”
A autora conclui, afirmando que as novas mídias, o ciberespaço, as hipermídias, o hipertexto interferem, como novas linguagens, no sujeito contemporâneo e na estruturação do pensamento, que vem se tornando cada vez mais heterogênea e não-linear.
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[1] Graduanda em Letras na Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE. Integrante do Grupo de Estudos Imbricamentos de Linguagens - UNIVILLE. Bolsista do projeto “Autores, obras e acervos literários catarinenses em meio digital” (UFSC/UDESC/UNIVILLE/UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI).
[2] Graduanda em Design na Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE. Integrante do Grupo de Estudos Imbricamentos de Linguagens – UNIVILLE. Bolsista do art. 171.
[3] Graduanda em Letras na Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE. Integrante do Grupo de Estudos Imbricamentos de Linguagens - UNIVILLE. Bolsista do projeto “Autores, obras e acervos literários catarinenses em meio digital” (UFSC/UDESC/UNIVILLE/UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI).
Fichamento Capítulo 12 “A vida na memória”, de Guy Gauthier
FICHAMENTO
Capítulo 12 “A vida na memória”
Mestranda Karla Adriana Nascimento Cunico¹
GAUTHIER,
Guy.
A vida na memória. In: O
documentário: um outro cinema. Tradução de Eloísa Araújo Ribeiro. Campinas: Papirus, 2011. cap. 12, p.
245-264.
p.
245
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O documentário
é memória e testemunha lembranças.
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p.246
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O
documentário refina a arte das relações entre o presente e a memória, e é um
instrumento para o conhecimento histórico.
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p.248
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O
documentário “de memória” foi impulsionado diretamente pelo cinema e dispõe, por
um lado de testemunhos gravados para a circunstância, por outro, de arquivos
recentes sob o controle do cineasta. Em ambos os casos, se constituem fenômenos do
século XX, pois buscam registrar sem reconstituição encenada e roteirizada, períodos
em que os documentos a serem “naturalizados”, ou seja, reconvertidos em
imagens cinematográficas. Podem se sustentar a partir de registros de lugares,
obras de arte, textos e fotografias.
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p. 250
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“(...)
os vestígios do passado se organizam em discursos.”
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p.
251
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Caso-limite
- “documentário de memória” - quando o sujeito se situa em um período para o
qual não há nenhuma imagem cinematográfica disponível, nenhuma testemunha
viva, quando o documentarista necessita de registros escritos, para a
sustentação de sua proposta.
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p.
260
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Os
lugares não tem memória, portanto, só há lugares de memória na cabeça dos
atores e das vítimas. O documentário apreende o instante em que a lembrança
ainda não foi submersa pela lenda e pelo esquecimento.
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¹Mestranda do curso de Patrimônio Cultural e Sociedade – Turma V da
UNIVILLE. Integrante do Grupo de Estudos Imbricamentos de Linguagens.
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