Anais do 28º.Encontro do PROLER Univille e 13º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura - 2022

O 28º Encontro do Proler Univille e 13º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura teve, no ano de 2022, o tema "As narrativas e a leitura como política social".

Realizado por meio virtualizado, o 13º seminário teve como objetivo a apresentação e circulação dos trabalhos produzidos nos meios acadêmicos de todo o Brasil.

As comunicações orais foram apresentadas a partir de salas temáticas, cada uma de acordo com seu tema, sendo elas:

1. EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS;

2. EXPERIÊNCIAS DE LÍNGUA/LITERATURA;

3. EXPERIÊNCIAS DE MEMÓRIAS;

4. EXPERIÊNCIAS DE LEITURA/MEMÓRIAS;

5. EXPERIÊNCIAS DE POLÍTICAS CULTURAIS.

 

Confira os ANAIS DO PROLER 2022 pelo link abaixo ou CLIQUE AQUI!

https://drive.google.com/file/d/1M6uclzxqyA8DVTc8hZ-1oWawNeyOuueE/view?usp=sharing

 

Importante: pesquisador(a), caso haja dificuldade de acesso ou algum equívoco relacionado ao seu trabalho, envie uma mensagem via WhatsApp para o número (47) 99919-0958 ou envie um e-mail para luanasseidel@gmail.com e converse com a equipe.


Apresentações do Seminário Interdisciplinar Letras/ História – Olhares do Séc. XIX sobre as Terras Brasilis (PROLER 2022)

28º Encontro do PROLER Univille - 13º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura, aconteceu de 21 a 24 de junho de 2022, de modo híbrido. No dia 23/06, aconteceu o Seminário Interdisciplinar Letras/ História – Olhares do Séc. XIX sobre as Terras Brasilis, com as apresentações: Diário de Viagem ao Brasil de Maria Graham e do romance O Guarani de José de Alencar.

Acadêmicos: 2º e 3º anos do Curso de História e do 4º ano de Letras

Coordenação: Dra. Roberta Barros Meira e Dra. Taiza Mara Rauen Moraes


Confira as apresentações logo abaixo, clicando nos slides:


1) Novos olhares sobre o romance indianista O guarani de José de Alencar:

Criação da Lenda do Tamandaré

História e Historiografia do Brasil I

2º ano - Licenciatura História

Alunos: Arthur Antonius Eissler, João Vitor Paterno



2) Diário de uma Viagem ao Brasil de Maria Graham


Fanzines


História e Historiografia do Brasil II
3º ano - Licenciatura História



3) Diário de uma Viagem ao Brasil de Maria Graham


Estudos do Cânone Literário


4º ano – Licenciatura Letras

Leitura do Gênero Diário - Diário de uma Viagem ao Brasil de Maria Graham

Alunos: André Marafigo, Carolina Freitas e Suellen Romano



Lançamento de livro de Cladir Gava


Hoje, dia 26 de setembro de 2022, acontecerá na Livraria O Sebo às 18h30, o lançamento e sessão de autógrafos do livro "O ser humano, a terra e as tecnologias: um estudo da força motriz de David Gonçalves". 

De autoria da pesquisadora Cladir Gava, o livro conta com a dissertação de mestrado da autora, que é integrante do grupo de pesquisa Imbricamentos de Linguagens. 
 
O prefácio do livro é de autoria da profa. Dra. Taiza Mara Rauen Moraes, líder do grupo de pesquisa. 


Cladir é mestra e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural e Sociedade da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE). Atuou como professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na Secretaria do Estado de Santa Catarina. Saiba mais sobre a autora, clicando na foto abaixo:



Chamada para trabalhos - 13º Seminário de Pesquisa: Linguagens, Leitura e Cultura

28º Encontro do PROLER UNIVILLE acontecerá no mês de junho e, com ele, vem o tão aguardado Seminário de Pesquisa: Linguagens, Leitura e Cultura.

A 13ª edição já está com as chamadas abertas para a submissão de resumos.
A participação e apresentação ocorrerá virtualmente no dia 21 de junho de 2022 pela Plataforma Teams e contará com as salas temáticas: 1. EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS; 2. EXPERIÊNCIAS DE LÍNGUA/LITERATURA; 3. EXPERIÊNCIAS DE MEMÓRIAS; 4. EXPERIÊNCIAS DE LEITURA/MEMÓRIAS; 5. EXPERIÊNCIAS DE POLÍTICAS CULTURAIS.

Confira no link abaixo as diretrizes, regras para submissão e o edital completo.

 CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O EDITAL

Em caso de dúvidas, envie um e-mail para proleruniville@gmail.com ou envie uma mensagem para (47) 99919-0958.

Minicontos do professor José Isaías Venera

O professor Dr. José Isaías Venera, membro de nosso grupo de pesquisa, professor da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) e da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), compartilhou minicontos de sua autoria. 

Clique nas imagens abaixo para acessar os minicontos:






ANAIS DO 27º ENCONTRO DO PROLER UNIVILLE (2021) e 12º SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUAGENS, LEITURA E CULTURA


Confira os ANAIS DO PROLER 2021 - CLIQUE AQUI!


O 27º Encontro do Proler Univille e 12º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura teve, no ano de 2021, o tema "As narrativas e a leitura como política social".

Realizado no dia 19 de outubro de 2021 por meio virtualizado, o 12º seminário teve como objetivo a apresentação e circulação dos trabalhos produzidos nos meios acadêmicos de todo o Brasil.

As comunicações orais foram apresentadas a partir de salas temáticas, cada uma de acordo com seu tema, sendo elas: 1. EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS; 2. EXPERIÊNCIAS DE LÍNGUA/LITERATURA; 3. EXPERIÊNCIAS DE MEMÓRIAS; 4. EXPERIÊNCIAS DE LEITURA/MEMÓRIAS; 5. EXPERIÊNCIAS DE POLÍTICAS CULTURAIS.

 Importante: pesquisador(a), caso haja dificuldade de acesso ou algum equívoco relacionado ao seu trabalho, envie uma mensagem via WhatsApp para o número (47) 99919-0958 ou envie um e-mail para luanasseidel@gmail.com e converse com a equipe.

CHAMADA DE TRABALHOS (COMUNICAÇÕES ORAIS)



27º Encontro do Proler Univille (2021)

12º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura


As narrativas e a leitura como política social

Ensino, Pesquisa e Extensão

De 18 a 21 de outubro • Encontro virtual

 

Clique AQUI para fazer sua inscrição


SALAS TEMÁTICAS:

EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS

EXPERIÊNCIAS DE LÍNGUA/LITERATURA

EXPERIÊNCIAS DE MEMÓRIAS 

EXPERIÊNCIAS DE LEITURA/ MEMÓRIAS

EXPERIÊNCIAS DE POLÍTICAS CULTURAIS


Chamada para apresentação de comunicações orais no 12º SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUAGENS, LEITURA E CULTURA, que ocorrerá no dia 19 de outubro de 2021, durante o 27º ENCONTRO DO PROLER UNIVILLE

A submissão dos resumos deverá ser postada de 20 de setembro até o dia 04 de outubro de 2021.


Acesse o EDITAL completo com as regras de submissão do resumo clicando AQUI.


CLIQUE AQUI para fazer a Submissão do Resumo


Serão aceitos resumos e textos completos para publicação em anais eletrônicos.

As apresentações desses trabalhos serão obrigatoriamente comunicações orais.


No ato da inscrição, será necessário enviar um resumo descritivo do trabalho (que não deverá exceder 1500 caracteres com espaços.


PROGRAMAÇÃO:

Data: 18/10

Palestra de abertura: A memória como leitura viva
Palestrante: Francisco Gregório Filho

Local: Univille Play
Horário: 19:00 às 22:00
Data: 19/10

12º SEMINÁRIO DE PESQUISA EM LINGUAGENS, LEITURA E CULTURA 
Local: Microsoft Teams
Horário: 19:00 às 22:00
Data: 20/10

Data: 20/10 - Seminário Interdisciplinar Letras/História
Olhares do Século XIX Sobre a Terra Brasilis

Local: Microsoft Teams

Horário: 19:00 às 22:00
Data: 21/10

SALVE O CINEMA
Filme: Escavação. Direção Simon Stone, 2021
Olhares do Século XIX Sobre a Terra Brasilis
Mediação: Dione da Rocha Bandeira
Horário: 19:00 às 22:00

Informações:

proleruniville@gmaill.com


Resenha crítica do capítulo V (Bachelard)


CAPÍTULO V - “A concha” (livro "A poética do espaço", de BACHELARD)

 Autores da resenha: Juliana Rossi Gonçalves e Pedro Romão Mickucz.

  

Referência do texto: BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Trad. Antônio da Costa Leal; Lídia do Valle Santos Leal. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984.

 

Desenvolvimento do texto

No capítulo V, Bachelard se concentra no universo dos invertebrados, se debruçando especificamente sobre o “elemento”.

Para o autor, a concha corresponde a lugares seguros, rígidos, onde o poeta não podendo “desenhar”, reduz falando sobre ela.

A geometria que os moluscos constroem impressiona por mostrar a vida através de diferentes formas geométricas.

Na obra de Paul Válery, interessante olharmos como o poeta olha para o que poucos atentam – como “é a formação e não a forma que permanece misteriosa” (BACHELARD, 1984, p. 266).

Com Válery talvez entendamos o lema do molusco que busca “viver para construir sua casa e não construir sua casa para viver nela” (BACHELARD, 1984, p.267). Com o autor, percebemos que o mistério da vida, a transformação, acontece de forma lenta e continuamente.

O fenomenólogo por sua vez possui dificuldade em vivenciar o conceito de “habitar”, se ficar nas “seduções das belezas exteriores”. Essa lógica é seguida por conquiliologista que busca classificar escamas e conchas (BACHELARD, 1984, p. 267).

O interesse do “observador ingênuo” permite as primeiras experiências e as provocações a partir de espantos. Questionamos como é “possível que um ser exista vivendo na pedra, vivendo num pedaço de pedra?” Esses espantos estão se tornando escassos, mas permite também se perguntar que “para uma concha ‘viva’, quantas conchas mortas! Para uma concha habitada, quantas conchas vazias?” (BACHELARD, 1984, p. 267).

Se a concha vazia remete aos devaneios de refúgios, também existe interesse na fenomenologia da concha habitada.

Aprofundada posteriormente, Bachelard só pontua nesse capítulo que na imaginação “entrar e sair são imagens simétricas”. (BACHELARD, 1984, p. 268).

Ao voltar para a concha, quando olhamos o que sai, devaneios de seres mistos – “meio carne, meio peixe”; “meio morto, meio vivo, e nos grandes excessos, meio pedra, meio homem”. Abre-se espaço para não categorizações, e criações como a “Melusina” (BACHELARD, 1984, p. 268).

A partir do mundo animal, amplia-se a fenomenologia do verbo “sair”. E o homem nesse sentido vive dessas imagens, “as imagens podem recolocar os verbos em movimento” (BACHELARD, 1984, p. 269).

A concha permite ampliar o conceito da dialética para além do “pequeno e o grande”, mas para o “livre e o acorrentado” – o que não espera para ser libertado.

Como Bachelard pontua brilhantemente, esse capítulo busca-se olhar pela “lente de aumento da imaginação” o “insignificante” onde estranhas sutilizas são reveladas, como por exemplo, a saída “molemente do molusco de sua concha, que demonstra a complexidade de medo e de curiosidade” ao mesmo tempo (BACHELARD, 1984, p. 269).

As imagens das conchas são evidenciadas na dialética do “escondido e do manifesto” que multiplicam as experiencias do apenas “abrigar em lugar seguro”. O ser que entra na concha e prepara para sair pode ser um “ser reprimido”?

Na metodologia da fenomenologia das imagens, o excesso da imaginação permite acentuarmos a dialética entre o grande e o pequeno, o escondido e o manifesto, o plácido e o ofensivo, o fraco e o vigoroso – ao ponto de ultrapassarmos a realidade. Nesse sentido, a imaginação não trabalha apenas nas imagens, mas no plano das ideias. Nas “ideias que sonham. Certas teorias, que se acreditam cientificas, são grandes devaneios, devaneios sem limites.” (BACHELARD, 1984, p. 270).

A vida é coberta por diferentes proteções, que mesmo esvaindo-se a vida, a “forma” ou a “fôrma” fica –

 

o ser que tem uma forma domina os milênios. Toda forma guarda uma vida. O fóssil não é mais simplesmente um ser que viveu, é um ser que vive ainda, adormecido na sua forma. A concha é um exemplo mais claro de uma vida universal formada em conchas.” (BACHELARD, 1984, p. 271).

 

J.B. Robinet, entende em suas obras que “vida é causadora de formas”, logo “a forma é a habitação da vida”. (BACHELARD, 1984, p. 272).

Sobre a representação de órgãos humanos e objetos materializados em conchas e elementos da natureza, Bachelard busca em Robinet para contrapor a psicanálise e entender que “a Natureza foi louca antes do homem. E que resposta agradável Robinet haveria de dar as observações psicanalíticas ou psicológicas para defender seu sistema”. Segundo as palavras de Robinet “Não devemos ser surpreendidos pela atenção da Natureza em multiplicar os modelos das partes da geração, tendo em vista a importância dessas partes”.  (BACHELARD, 1984, p. 272).

Bachelard exemplifica as contradições das conchas, ao mostrar o quanto são rudes externamente, mas suaves e recobertas de “madre-pérola” em sua intimidade. “Como é possível obter esse polimento pelo atrito de um ser mole?” Como nas questões da vida, “as coisas simples são muitas vezes psicologicamente complexas”. (BACHELARD, 1984, p. 272).

Com a analogia da “fênix da água” do Abade Vallemont, e outras alegorias ao longo dos tempos, são frutos e “fatos da imaginação, os fatos positivos do mundo imaginário.” (BACHELARD, 1984, p. 273).

Ao olharmos as conchas, podemos pensar em nossos corpos e almas, segundo o autor “A simbologia dos antigos fez da concha o emblema de nosso corpo que encerra num invólucro exterior a alma que anima o ser por inteiro, representado pelo organismo do molusco. Assim, disseram eles, como o corpo fica inerte quando a alma se separa dele, da mesma forma a concha se torna incapaz de se mover quando se separa da parte que a anima”. (BACHELARD, 1984, p. 273).

Trazendo todos esses referenciais e imagens sobre a concha, Bachelard alerta para a verificação que devemos fazer dos “devaneios ingênuos” e que alimentam de certa forma as “tradições” (BACHELARD, 1984, p. 273).

Retomando a fênix de Vallemont, “tal contato com uma crença nos leva a origem da crença. Um simbolismo perdido é reencontrado ao reunir sonhos”. Logo “Se a essas alegorias e símbolos de ressurreição, juntarmos o caráter sintetizante dos devaneios dos poderes da matéria, compreenderemos por que os grandes sonhadores não puderam afastar o sonho da fênix das águas.” (BACHELARD, 1984, p. 273).

Novamente sobre as ambiguidades e contradições que a concha abriga, Bachelard atenta para compreendermos fenomenologicamente a fabricação da concha pelo caracol. Um ser “mole constitui a concha mais dura”. Além disso, traz questionamentos como se estaria ele numa “prisão de pedra”? Rompendo-se assim a ideia de fortaleza?

Esses devaneios do homem sobre as conchas de caracol, podem enfim ser concluídas pela análise final do Abade de Vallemont (loc.cit.pag. 255), são “sublimes motivos de contemplação para o espírito”. (BACHELARD, 1984, p. 274).

Interessante perceber a análise de Bachelard sobre Vallemont que não acreditava na fênix de fogo, mas na fênix da água, que descreve: “É sempre agradável ver um destruidor de fábulas ser vítima de uma fábula”. (BACHELARD, 1984, p. 274).

E por vezes caímos em situações como essa. Substituímos nossas crenças em algumas fábulas por outras fábulas? – Reflexão dos resenhistas.

Novamente Bachelard nos coloca a pensar sobre os ninhos e as conchas com a ideia que temos de “refúgio”. Mas nesse refúgio “a vida se concentra, se prepara, se transforma”. (BACHELARD, 1984, p.275).

Temos como ideia a clássica imagem “banalizada” da “concha-casa”, ao que Bachelard identifica essas imagens como pertencente ao “museu indestrutível das velharias da imaginação humana”. (BACHELARD, 1984, p. 276).

Ao mesmo passo que essas imagens são muito claras, também chegam a “bloquear a imaginação, caindo no dilema de nos tornarmos vítimas da banalidade (BACHELARD, 1984, p. 276).

Bachelard pontua sobre a solidão que é habitar nas conchas. O quanto almejamos vidas solitárias ao proferir frases como “Ah, os caracóis não conhecem sua felicidade” (BACHELARD, 1984, p. 278). Com outras reflexões, lembramos aqui algumas das discussões apresentadas na metáfora do “Dilema do porco espinho” do filosofo alemão Arthur Schopenhauer e que Leandro Karnal, traz em sua obra “Dilema do Porco Espinho: Como encarar a solidão”.

Quando crianças, aproximamos nossos ouvidos nas conchas para ouvir as ondas do mar, lugar de onde deveria ser seu “habitat” natural. Como Bachelard recitando Gaston Puel:

 

“Minha sombra forma uma concha sonora

E o poeta escuta seu passado

Na concha de sombra de seu corpo”. (BACHELARD, 1984, p. 278).

 

            Interessante também perceber que buscamos na vida animal, valores morais, como no exemplo apresentado por Bachelard, do “eremita-bernardo” buscando conchas abandonadas, ou do cuco que coloca ovos nos ninhos dos outros (BACHELARD, 1984, p. 279).

            Nas palavras de Bernard Palissy, percebemos a dimensão de seus estudos e a complexidade que faz nas análises dos caracóis e das conchas (BACHELARD, 1984, p. 280-281). Bachelard pontua que para não diminuirmos imagens construídas como as de Palissy, em “simples metáforas”, devemos trabalhar essas imagens pelo jogo da imaginação ressignificada com outros símbolos imaginativos – como os poetas e poemas, por exemplo. (BACHELARD, 1984, p. 282).

            Para Palissy o homem busca habitar em conchas. Deseja que “a parede que lhe protege o ser seja sólida, polida, fechada, como se sua carne sensível tivesse que tocar nas paredes de sua casa. O devaneio de Bernard Palissy traduz, na ordem do tato, a função de habitar. A concha confere ao devaneio uma intimidade completamente física” (BACHELARD, 1984, p. 282).

            O conceito de caverna-concha amplia a dimensão de “cidade fortificada”, de barreira contra invasores. Amplia a dimensão de habitação, proteção e esconderijo (BACHELARD, 1984, p. 283).

            Falou-se até aqui então, sobre as conchas, mas Bachelard também pontua, e as carapaças como das tartarugas? O conceito de casa ambulante seria apenas uma ilustração das “teses” apresentadas até então nesse capítulo (BACHELARD, 1984, p. 283).

            Mesmo com poucas palavras, viajamos e ampliamos nossa relação imaginativa da tartaruga nas citações e reflexões de Bachelard sobre o poeta Franz Hellens. O fenomenólogo pode então analisar diferentes ângulos sobre essa “gravura comentada” (BACHELARD, 1984, p. 284).

            Para finalizar, Bachelard retoma o início do capítulo ao entender que os fenomenólogos se complicam quando confrontados com as “estranhezas do mundo”. A imaginação proporciona no que é familiar, estranhezas. A poética abre na imaginação um novo mundo. “Uma simples imagem se faz nova, abre um mundo”. Por o mundo ser mutável a todo momento e a todo instante, se torna um problema que se renova para fenomenologia. Das palavras de Bachelard captamos que

 

“Resolvendo os pequenos problemas, aprendemos a resolver os grandes. Nós nos delimitamos a propor exercícios no plano de uma fenomenologia elementar. Estamos aliás convencidos de que não há nada insignificante na psiqué humana.” (BACHELARD, 1984, p. 285).

Resenha crítica do capítulo III (Bachelard)


 CAPÍTULO III - “A gaveta, os cofres e os armários” (livro "A poética do espaço", de BACHELARD)

Autores da resenha: Juliana Rossi Gonçalves e Pedro Romão Mickucz

  

Referência do texto: BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Trad. Antônio da Costa Leal; Lídia do Valle Santos Leal. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984.

 

Desenvolvimento do texto

Na introdução, Bachelard já sintetiza que as gavetas, os cofres e os armários são como a “casa das coisas”. Desvelando a estética do escondido. (BACHELARD, 1984, p. 197).

No capítulo, Bachelard discorre de forma poética sobre as estruturas dos móveis do interior da casa: a gaveta, os armários, os cofres e as fechaduras.

Inicia o capítulo confirmando os sentidos das palavras, seja de seu uso pejorativo por um grande escritor (o que lhe causa grande sofrimento), seja de seu uso cotidiano e ligado às realidades comuns, que “não perdem por isso suas possibilidades poéticas” (BACHELARD, 1984, p. 245).

Ao longo do capítulo aciona diversos escritores e poetas para discorrer sobre a imagem e a metáfora, perpassando pelos conceitos de intimidade e imaginação.

A imagem retira todo o seu ser da imaginação, apesar de ser obra da imaginação absoluta.

A metáfora dá um corpo concreto a uma impressão difícil de exprimir; é “uma imagem fabricada, sem raízes profundas, verdadeiras, reais” (BACHELARD, 1984, p. 245). É possível defini-la como uma expressão efêmera, que deve ser pensada (mas não demais) e “temer que aqueles que a leem não a pensem” (BACHELARD, 1984, p. 245).

Diz que as metáforas são abundantes a partir dos pensamentos do filósofo e diplomata francês Bergson. Que as imagens são raras, e a imaginação é metafórica. Na relação entre metáfora e imagem, diz: “A metáfora é uma falsa imagem já que não tem a virtude direta de uma imagem produtora de expressão, formada no devaneio falado” (BACHELARD, 1984, p. 247).

Utiliza-se da filosofia bergsoniana quando fala da metáfora da gaveta – a memória não é um recipiente de classificações de lembranças, mostrando a pobreza da imagem que quer que haja "aqui e ali no cérebro caixas de lembranças que conservariam fragmentos do passado" (BACHELARD, 1984, p. 246), como uma espécie de gaveta cerebral. A memória tampouco é um armário de lembranças.

Segundo o autor, a metáfora das gavetas é um “Instrumento polêmico rudimentar”, pois perde sua espontaneidade de imagem, imagem estereotipada de conceitos que servem para classificar os conhecimentos. Bachelard (1984, p. 246) afirma que “Para cada conceito há uma gaveta no móvel das categorias. O conceito é um pensamento morto, já que ele é, por definição, pensamento classificado.”

As gavetas, os cofres, fechaduras e armários remetem a imagens, espaços e devaneios da intimidade, esconderijos onde o homem dissimula ou encerra seus segredos. Sem esses objetos, a vida não teria modelo de intimidade – são objetos-sujeitos – “O armário e suas prateleiras, a escrivaninha e suas gavetas, o cofre e seu fundo falso são verdadeiros órgãos da vida psicológica secreta” (BACHELARD, 1984, p. 248).

Bachelard analisa que as palavras poeticamente “dominadoras” habitam nas palavras com pequenas silabas. Assim como no interior de pequenos objetos se tornam profundos quando analisados pelo poeta. A potencialidade do armário em abrigar a ordem e proteger a casa de uma desordem. (BACHELARD, 1984, p. 249-250).

Esses móveis são o “testemunho sensível de uma necessidade de segredos, de uma inteligência do esconderijo” (BACHELARD, 1984, p. 250). O poder de vida, poder humano é o que abre e fecha a fechadura. Aciona a psicologia quando faz homologia entre a psicologia do segredo e da alma fechada – “Poderíamos dizer, da mesma maneira, que os escritores nos dão seu cofre para ler” (BACHELARD, 1984, p. 251).

Ao abordar a chave e fechadura, confirma que a psicanálise evidencia símbolos sexuais, mascarando a profundidade dos devaneios da intimidade. Mas a chave também age sozinha – um pensamento secreto encontra a imagem do cofre, seguindo o preceito do cofre rilkiano (poeta de língua alemã Rilke). O devaneio, vivido pelos poetas e que permanece no mundo, “abre os cofres, condensa as riquezas cósmicas num pequenino cofre. (...) (O poeta) acumula o universo em torno de um objeto, num objeto” (BACHELARD, 1984, p. 252).

A psicanálise analisa os objetos, já poesia ultrapassa esses limites. Amplia a experiencia e a relação com esse objeto.

Numa analogia que talvez poderíamos fazer com o patrimônio, Bachelard descreve que o cofre é a memória do imemorial, pois “No cofre estão as coisas inesquecíveis, inesquecíveis para nós, mas inesquecíveis para aqueles a quem daremos nossos tesouros. O passado, o presente, um futuro estão aí condensados. E, assim, o cofre é a memória do imemorial.” (BACHELARD, 1984, p. 252). A segurança de um cofre fechado, os seus segredos guardados.

Ao abrir a abertura do cofre, a dialética do interior e do exterior se esvazia. Tudo é novo, surpresa e desconhecimento. Como a psicologia permite na dimensão da “abertura” de intimidades fechadas.

A imaginação não limita as coisas, “nunca... é só aquilo”. Não está submetida a verificação. Como Jean-Pierre Richard descreve “’Nunca chegamos ao fundo do cofre’. Como dizer melhor da infinidade da dimensão intima?” (BACHELARD, 1984, p. 253).

Não queremos comunicar as lembranças puras, que são imagens unicamente nossas, por isso as imagens estão no cofre. No momento que ele se abre, “as dimensões do volume não têm mais sentido porque uma dimensão acaba de se abrir: a dimensão da intimidade” (BACHELARD, 1984, p. 253).

A imaginação põe um estímulo nos sentidos; a própria imagem da imaginação não precisa ser verificada pela realidade. Quando há uma verificação, as imagens morrem, pois “haverá mais coisas num cofre fechado do que num cofre aberto (...) Sempre, imaginar será mais que viver” (BACHELARD, 1984, p. 254).

Bachelard finaliza ao descrever que o escondido do homem e o escondido nas coisas ganham relevância pela topoanálise quando aprofundado na “estranha região do superlativo”, campo estudado pela psicologia. Assim, para dominar o superlativo, precisa tocar o positivo pelo imaginário. Logo, precisamos “escutar os poetas”. (BACHELARD, 1984, p. 254-255).

POSTAGEM EM DESTAQUE

Anais do 28º.Encontro do PROLER Univille e 13º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura - 2022

O 28º Encontro do Proler Univille e 13º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura teve, no ano de 2022, o tema "As narrati...